" CAPITÃO DO MATO "

sábado, 9 de fevereiro de 2008


General Ataliba Leonel


Dna. Francisca Leonel (esposa de Ataliba)


A revolução de 1932 encerrou o ciclo de domínio do PRP, sigla do histórico Partido Republicano Paulista, o qual, só por São Paulo, dera ao Brasil quatro de seus maiores presidentes: Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves e Washington Luís. Na realidade, o PRP não era apenas uma agremiação política e sim a refração sócio-econômica da monocultura do café, até a pouco, o principal produto nacional.
Sua estrutura paternalista assentava suas bases nos “ coronéis “ civis, arquipotentes chefes políticos que substituíam os barões da democrática monarquia do culto imperador D. Pedro II.
Ataliba Leonel, advogado formado pela Faculdade do Largo São Francisco, Exerceu com brilhantismo a profissão em Piraju, logo, a mercê de sua atividade política, tornou-se um poderoso “coronel” perrepista ao lado de venerandas figuras, como: Lacerda Franco, Fernando Prestes, Pádua Salles, Olavo Egídio e outros membros da oponente Comissão Diretora do PRP.
Ataliba, fisicamente, era bem um padrão da raça bandeirante. Homem alto, moreno claro, magro, um tanto curvado e esse encurvamento passava a impressão de uma atitude atenciosa para com todos, simples, leal, enérgico, o advogado fora nele absorvido pelo político; seu prestígio cresceu a ponto de chefiar larga zona do Estado na qual não reinava pela força, senão por uma astúcia política servida por uma compreensiva bondade; transformava cada eleitor num amigo, ao qual dava assistência da sua experiência. O Coronel Ataliba Leonel poderia ser apontado como um símbolo do PRP.
O “Coronel” político, transfundiu-se num militar verdadeiro, tornando-se, mercê de sua colaboração guerreira em prol da legalidade nas revoluções de 24 e depois, nas de 30 e 32, quer pela bravura, quer pela decisão no comando, num verdadeiro chefe militar, honrando os supremos galões que lhe outorgara o Presidente Artur Bernardes, ao conferir-lhe a dignidade de General honorário do Exército Brasileiro.
Antes de tornar-me Historiador, as informações que chegavam aos meus ouvidos, descendiam de seus adversários, portanto, despertavam em mim, apenas antipatia, apresentando-se ao meu entendimento, como sendo um ser rude, que vencia pela força e pela opressão, um homem bastante rústico, de chapéu mal posto e cigarro de palha atrás da orelha. Após anos de pesquisas, conheci verdadeiramente o General Ataliba Leonel, afastando a visão anterior de um "boiadeiro chucro", que não me descreveram, mas, que julguei ao desenhá-lo mentalmente. O cigarro de palha era realmente sua marca, mas, não o trazia atrás da orelha como os homens do campo e sim em sua elegante carteira de civilizado; era preparado em sua própria casa com os melhores fumos, forte, mas aromático, envolto na mortalha de palha e meticulosamente burlido com caramujo. O verdadeiro Ataliba, não se revelou de imediato ao meu entendimento, suas funções eram múltiplas; de desbravador de sertões, a diretor do Correio Paulistano, principal jornal da época e exercia forte influência nos meios culturais do estado. Amigo pessoal de Menotti Del Picchia, através do qual, passou a conhecer a nata da intelectualidade nacional e era conhecido carinhosamente no meio, como “CAPITÃO DO MATO”, dado a sua preocupação constante com sua cidadezinha às margens da fronteira com o Paraná.
Nas fotografias encontradas nas gavetas da velha República, vemos um Ataliba guerreiro, o Ataliba paulista acima de tudo e que oferecia o próprio sangue em defesa da causa perrepista, o General não fotografado, ou seja, aquele que está escrito pelos amigos do Correio Paulistano, é o homem da cultura, dos bons livros, da sociologia, dos bons autores, enfim, o advogado que fora camuflado pelo homem do campo.
Não faltarão pesquisadores da vida deste grande vulto de nossa História e seguramente encontrarão muitos instantes em que o General Ataliba Leonel revela seu profundo amor por São Paulo e também seu espírito de decisão e de serena coragem. Pertencendo àquela austera geração de políticos, para os quais a honradez era um imperativo da função que exerciam, sua vida escorreu limpa daqueles pecados que o poder e as oportunidades oferecem aos menos fortes, pois relativamente humilde entrou para a contínua ascensão de sua brilhante carreira, dela saindo menos rico, enriquecido apenas pela admiração e carinho de todos os que conheceram aquele que sem sombra de dúvidas seria o futuro Governador do Estado, não fosse o advento de 1932.

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