O SERTÃO DESCONHECIDO

terça-feira, 18 de março de 2008

A Capitania de São Paulo, antes muito próspera, rica e influente, começou a declinar. Tudo teve início quando foram criadas as novas Capitanias de São Pedro do Rio Grande do Sul (1738), a de Goiás (1748), a de Minas (1720) e a de Mato Grosso (1748). Ao serem formadas, todas consumiram territórios de São Paulo e levaram, junto, seus povoadores para engrossar as populações que nesses lugares já existiam. Então, para lá foram, não só os mineradores mas, também, pessoas das mais variadas profissões: dos funcionários da Coroa, para organizar a cobrança dos impostos, aos comerciantes e criadores, que se aproximavam das minas para realizar seus negócios, bem como pessoas de todas as profissões possíveis na época.
São Paulo ficou quase vazio de gente. Sua população ficou espalhada pelo território e sua economia enfraqueceu, até que em 1748 a própria Capitania foi anexada à do Rio de Janeiro. A população que ficou envolveu-se apenas com a própria subsistência. Os poucos que tentavam viver do comércio iam ao Rio de Janeiro buscar tecidos vindos da Europa, vendendo-os, na volta, na própria região paulista ou os negociavam em Minas. Da antiga Capitania de S. Paulo apenas saía um algodão grosseiro e açúcar, produtos que, também, eram negociados nas minas.
Esta situação perdurou até quando as hostilidades com a Espanha foram retomadas e os Reis de Portugal restauraram a Capitania de S. Paulo. Para isso, em1765, assumiu o governo da Capitania Paulista, D. Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão, com ordens expressas do Conde de Oeiras e Marques de Pombal para reativar a economia e organizar a defesa do território.
O novo governador, no entanto, conhecia muito pouco da Capitania. Ao chegar ao Rio de Janeiro ficou sabendo que vivia ali o neto de um antigo sertanista e procurou obter, com ele, o máximo de informações. Pedro Paes Leme, também sertanista, neto de Fernão Dias Paes, teve com o novo governador, longas conversas, assegurando a viabilidade da ocupação do interior da Capitania de São Paulo. Planejaram novas investidas aos sertões, para os lados do Rio Iguassu (hoje Estado do Paraná) e, também, aos longínquos Campos da Vacaria, no extremo oeste brasileiro, atual Estado do Mato Grosso. Depois de empossar-se como novo governador, Dom Luiz organizou sete expedições ao Iguassu, mas foi com a criação e fundação do Forte e Presídio do Iguatemi, junto ao rio do mesmo nome, que marcou significativamente sua administração.
O Iguatemi foi o primeiro forte criado no sertão avançado e visava manter vigilância sobre as entradas de soldados e colonos espanhóis que, de Assumpção no Paraguai, invadiam o território já ocupado pelos portugueses. Essa experiência foi trágica. O forte e presídio, que levava o nome de Nossa Senhora dos Prazeres e São Francisco de Paula do Iguatemi, foi desativado em 1777, depois de um ataque espanhol e dez anos depois de "engolir " a vida de milhares de paulistas. No final do séc. XVIII, quando a Capitania de São Paulo foi restaurada, a utilização do rio Tietê como caminho para o Mato Grosso continuava predominante
Foi para conduzir homens e víveres a essa praça militar que Dom Luiz, governador, realentou o sonho de retomar a abertura de um caminho por terra, livrando as expedições que continuavam a se dirigir ao Mato Grosso, do longo tempo e dos perigos da navegação pelo Anhembi (Tietê), acidentado ao extremo. Tentou várias vezes sem sucesso. Estava irritado com Antônio Barbosa, diretor de uma povoação nas cabeceiras do Rio Piracicava, pois o mesmo comprometera-se em abrir tal caminho, partindo daquela povoação e recebera por isso, mas não cumprira o combinado.
Então, em fevereiro de 1771, recebeu uma carta de José de Almeida Leme, capitão-mor de Sorocaba, propondo-lhe a abertura de um caminho que, saindo de Sorocaba, varava os Morros de Botucatu e ía sair junto ao Paranapanema, poupando as grandes voltas que o Anhembi (Tietê) obrigava. O capitão-mor dizia possuir antigos mapas, traçados por velhos sertanistas e que lhe serviriam de roteiro para a empreitada. Cinqüenta anos haviam se passado, desde o longínquo 1721, quando o bandeirante Bartolomeu Paes de Abreu, abrira a primeira picada a partir do Morro do Hybyticatu.
Contratou com ele o novo traçado que iria repetir os antigos caminhos dos sertanistas do século XVI e XVII, no mesmo sentido ao Paraguai, Peru mas, agora, incluíndo um objetivo mais a noroeste, buscando a colônia Penal à beira do Rio Iguatemi, hoje no Mato Grosso do Sul. Em novembro de 1771, José de Almeida Leme anunciava a abertura do caminho ao Iguatemi, varando o Morro do Botucatu, indo sair à beira do Rio Aguapeí. Propunha, então, que se descesse esse rio até atingir o Rio Paraná, procurando chegar à Picada de Francisco Paes, já construída e que levava, em plena selva, do outro lado do rio, até o Forte do Iguatemi.
O sertão da capitania ía sendo varado. Agora esse novo caminho juntava-se às antigas picadas abertas por Bartolomeu Paes de Abreu e Luiz Pedroso de Barros, já em desuso, por essa época. O interessante desse novo traçado é que ele retomava um velho costume dos sertanistas do início daquele século: ao empreenderem a volta das incursões ao Mato Grosso e vizinhanças, o faziam através do Rio Paranapanema. Subiam-no até o Salto do Paranan-Itù, onde abandonavam suas canoas e, em marcha de sete dias, procuravam atingir as matas do Morro do Botucatu, de onde desciam para alcançar as fazendas jesuítas do Guarey e Botucatu, dali rumando para o centro da capitania. Agora fariam o caminho inverso.
Ainda no governo de Dom Luiz Antonio foram projetadas cinco povoações para defesa do território, estratégicamente posicionadas nas vias de acesso ao centro da capitania. De três delas se conhece a história. Piracicaba, ou uma povoação com esse nome, já existia com diretor e localização, quando o sargento-mor Theotônio José Juzarte desce pelo Tietê levando uma das expedições ao Iguatemi. Isso em março de 1769. O plano para ela era trazê-la para trazê-la para a desembocadura do Piracicaba no Tietê, de forma a transformá-la numa fortificação soberana sobre aquele trecho do rio. Outras duas, Itapetininga e Itapeva, foram criadas pelo governador, dentro de seu plano, para guarnecerem os caminhos que davam entrada à Capitania, vindos do sul, dos campos de Curitiba. Era o caminho das tropas. Essas povoações, segundo o plano, bloqueariam também as incursões, eventuais, que progredissem, demasiadamente, pelo alto Paranapanema e rio Itapetininga. As duas foram criadas por ato do senado da Câmara de Vereadores de Sorocaba, no transcorrer da implantação do plano de defesa de Dom. Luiz.
Botucatu ou uma povoação no lugar chamado Botucatu (o texto do decreto fala "... no Botucatu", podendo entender-se que o governador referia-se ao território dos Morros do Botucatu, tão apontado como referência), projetada para guarnecer o caminho do Paranapanema, do qual acabamos de falar, era outra dessas povoações de defesa. A responsabilidade de sua fundação foi entregue a Simão Barbosa Franco. Porém, restam dúvidas que tenha sido fundada por essa ocasião – 1766; além do decreto do governador a documentação silencia sobre os resultados.
Todas essas iniciativas, com sucesso ou não, constituíram-se nas primeiras providências oficiais para a ocupação do sertão e resultaram num conhecimento maior do mesmo, essencial à sua conquista e desbravamento. São Paulo ainda demorou alguns decênios para sentir o surgimento do primeiro ciclo da cana-de-açúcar e ao crescimento do comércio de muares, fatores definitivos para a acumulação dos capitais, que propiciaram a retomada do crescimento da capitania.

Fonte: br.geocities.com/historiadebotucatu/rev-005.htm

1 comentários:

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