PRIMÓRDIOS DA VELHA REPÚBLICA

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o Brasil passou a ser governado pelos militares. A princípio imagina-se que o movimento teria sido um golpe militar e realmente o foi devido a não existência no país de uma instituição republicana estruturada com capacidade de manter a unidade nacional e consequentemente evitar que o território fosse subdividido em pequenas repúblicas e ao mesmo tempo enfrentar os monarquistas que tentavam retomar o poder. Nesse período, a única instituição com capacidade para assumir o controle do governo eram as Forças Aramadas que estavam presentes em todos os estados. Isso explica em parte, porque os dois primeiros governos republicanos foram militares.
Apesar do apoio dado aos militares nos primeiros anos, a oligarquia cafeeira, que era a principal classe econômica do país, acatava as decisões do governo sem, no entanto se deixar subordinar por completo. Quando Floriano assumiu o comando, apoiado principalmente pelas camadas médias da sociedade, incentivou a urbanização e a industrialização, facilitando a importação de maquinarias, matérias-primas e insumos, isso contrariava os grandes proprietários rurais que preferiam apropriar-se dos recursos estatais para o setor agrícola. Os adeptos de Floriano, comprometidos com as medidas de industrialização do país, procuravam barrar o acesso dos representantes da oligarquia aos principais postos do aparelho estatal. Os militares seguiam a doutrina positivista e julgavam-se imbuídos da missão de salvação nacional e defendiam um governo centralizador, já os cafeicultores de São Paulo, preferiam por sua vez, um regime federativo onde haveria ampla autonomia estadual e poderiam manobrar com maior facilidade a economia em função de seus próprios interesses.
Em 1894 a transferência do poder dos militares para os civis marcou a passagem da República da Espada para a República Oligárquica. O coronelismo, o voto de cabresto, a política dos governadores e a política de valorização do café foram as principais características da dominação político-econômica das oligarquias rurais sobre o país. A oligarquia formada pelos fazendeiros paulistas, já era, antes mesmo da proclamação, a principal força econômica da sociedade brasileira. No entanto, essa primazia ainda não se refletia em um completo controle do aparelho do Estado, mesmo nos primeiros anos da República e essa tarefa foi facilitada pela divisão surgida entre os militares.
Após a eleição de Prudente de Morais, essas oligarquias impuseram suas linhas de organização ao Governo que adotou medidas governamentais que protegiam os interesses agrário-exportadores dos cafeicultores.

1 comentários:

Profanomedievo disse...

Não sei o que é pior na nossa história política: o domínio dos militares ou das oligarquias. Talvez isso explique um pouco porque somos tão reacionários politicamente até hoje.

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