O CORONELISMO E O VOTO DE CABRESTO

sábado, 17 de maio de 2008

O coronelismo foi um dos mais característicos fenômenos sociais e políticos da Velha República. Suas raízes se encontram no Império, mas sua forma mais genuína surgiu do entrelaçamento de modernas instituições, como o voto universal e a autonomia estadual, com as arcaicas estruturas da grande propriedade rural e seus interesses particulares.
Quando o padre Diogo Feijó criou a Guarda Nacional, em 1831, no período regencial, os grandes proprietários rurais que a formavam passaram a utilizar o título de coronel. Mais tarde, não só aqueles que ocupavam tal posto, mas todos os chefes políticos locais passaram a ser indistintamente chamados de “coronéis” pelos sertanejos.
O voto havia sido estendido a uma ampla parcela da população e poderia ser uma arma importante no processo de transformação da sociedade, mas, a ausência de politização das camadas populares, aliada à utilização de toda forma de violência por parte dos coronéis, acabou por transformá-lo em uma mercadoria de barganha. A votação era aberta, ou seja, permitia que os políticos locais formassem os “currais eleitorais”, controlando os votos em função dos interesses das oligarquias estaduais. O coronel tinha um poder proporcional ao número de eleitores que conseguisse assegurar para os candidatos das oligarquias. Esse tipo de voto, que forçava o eleitor a apoiar o candidato do coronel local, era conhecido como “voto de cabresto”. Os coronéis por sua vez, recebiam favores pessoais das oligarquias e consolidavam seu poder também nos municípios.
O coronel era temido e respeitado, relacionava-se de maneira íntima com seus eleitores, fazia-se padrinho e compadre de todos, realizava visitas de cortesia e era pródigo em favores, arranjando escolas, hospitalizando doentes, empregando pessoas no setor público, tirando gente da cadeia, doando terras e as expropriando daqueles que não se enquadrassem ao seu mando. Geralmente o coronel era o festeiro, era quem patrocinava as festas dos santos e fazia doações de prendas para as quermesses, em troca exigia fidelidade, respeito e atuação em seus bandos armados que eliminavam aqueles considerados “ingratos” e garantiam a dominação regional de seu chefe contra a possível interferência de um outro coronel. Incontáveis foram os conflitos e derramamento de sangue entre jagunços de coronéis que se desentendiam, sendo assim, da esfera local regional e federal, predominava a política do “toma lá, dá cá” e a preocupação com os interesses nacionais inexistia.

1 comentários:

Hugo disse...

eu odeiiio essa coisa ! mais eu preciso de aprender . rs'

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